Brasileiro pobre, pobre brasileiro.

 A menor expectativa de vida média (E.V.M.) calculada pela Organização Mundial da Saúde em 2008 foi de 42 anos, correspondente aos países Zimbábue e Afeganistão. Japão e República de San Marino apresentam as maiores expectativas de vida, de 83 anos. A média é de 71 anos de vida. No Brasil, vive-se, em média, 73 anos, 2 acima da média mundial. Se forem analisadas as regiões, o continente africano é o que apresenta menores valores, com E.V.M. de 53 anos. O continente americano apresenta maiores valores de E.V.M, 76 anos.

O Brasil é um país em desenvolvimento. Estar acima da E.V.M. do mundo (2 anos) não é muito animador. No Japão, vive-se mais, qual o motivo? Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, em 2008, 315.000 casos de malária, 40.000 casos de lepra e 38.000 casos de tuberculose foram registrados no Brasil. Um país que prioriza melhorar sua qualidade de vida, deve começar por investimentos na saúde. Mas não digo somente investimentos do setor público. 42 % dos investimentos em saúde são feitos pelo governo, sendo 58 % referente ao setor privado. Uma preocupação conjunta entre o público e o privado contribuirá para uma diminuição dos óbitos ocasionados por estas doenças. Existem vários centros de pesquisa destinados ao desenvolvimento de novas quimioterapias para o tratamento destas enfermidades, assim como existem muitas organizações responsáveis pelo controle de epidemias. Entretanto, os investimentos destinados ao avanço do país em melhorias da saúde são insuficientes para atender aos projetos existentes. Uma possível solução seria conscientizar o setor privado a investir mais em saúde. E quanto ao governo, investir mais em políticas que priorizem as pesquisas, com bolsas de mestrado e doutorado mais justas. Por exemplo, um estudante universitário em seu último ano de graduação se encontra em um dilema: desenvolver um projeto de mestrado visando a estudar os sistemas públicos e propor soluções para o crescimento do país (com uma bolsa do CNPq de um valor próximo a 1200 reais), correr atrás de concursos públicos ou trabalhar no setor privado? Muitos talentos acabam deixando a carreira acadêmica devido a falta de estímulos para prosseguirem seus estudos. Fazendo uma análise mais crítica: um estudante da região sul, com formação universitária, teria muita vontade de ir estudar em São Paulo, uma cidade com alto custo de vida, para receber uma bolsa de 1200 reais, enquanto na sua cidade existem várias oportunidades de emprego com salários equivalentes ou maiores?

A análise de expectativa de vida, desenvolvimento da nação e qualidade de vida é muito mais complexa e não está relacionada somente a um único fator. Além dos problemas envolvendo a necessidade de mais investimentos em saúde, há outros problemas como carência de professores no sistema de ensino público brasileiro e má distribuição de renda. Como contornar estes problemas? Iniciativa individual. Se cada um começar a correr atrás de seus ideais e trabalhar para solucionar um problema, o brasileiro poderá saber como é viver em um país desenvolvido.

Wilian Augusto Cortopassi, IME.

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7 respostas para Brasileiro pobre, pobre brasileiro.

  1. Vicente disse:

    As coisas não são tão simples assim meu jovem… Lembre-se que sempre que não existe almoço gratuito. Investir mais em saúde é deixar de investir em outras áreas.
    O Brasil apresenta menor expectativa de vida devido a suavrenda per capita ser menor que aquela dos ditos “países desenvolvidos”.

    Com o crescimento econômico, naturalmente os investimentos em saúde irão crescer. Agora, por que o Brasil não teve seu esperado crescimento que o resto dos “países desenvolvidos” já experimentou é que é a pergunta que não quer calar…

    • blogmudancas disse:

      Vicente, quando coloquei “A análise de expectativa de vida, desenvolvimento da nação e qualidade de vida é muito mais complexa e não está relacionada somente a um único fator.” quis me referir exatamente ao que você comentou. Concordo plenamente que não depende somente de um fator, mas sim de uma complexa distribuição entre: saúde, educação, distribuição de renda… Entretanto, investir em saúde é sim fundamental para determinar a expectativa de vida. Não se trata de: “não devemos investir em saúde porque parte da população não tem um prato de comida”. Mas sim investir concomitantemente em várias áreas. Se queremos pensar como país desenvolvido, devemos trabalhar várias áreas em conjunto. Há o problema da fome? Sim. Mas também há o problema da carência de médicos no setor público.

  2. Vicente disse:

    O problema da fome já esta praticamente erradicado no Brasil… Eu sinceramente não acredito em nenhuma solução vinda do setor publico… É justamente nele em que a corrupção e a ineficiência rolam soltos! saúde publica é um problema ate no Canadá, onde só existe saúde publica… Pare e observe: veja que qualquer serviço ineficiente tem a mão do governo extremamente presente, vide saúde e educação… Outros serviços tem acessibilidade ótima. Hoje em dia todos tem televisores, celulares, logo mais computadores. Agora saúde, educação e desenvolvimento continuarão um problema enquanto essa mebtalidade estatista permear. Esses países ditos desenvolvidos são os primeiros em termos de liberdades econômicas. Enquanto a maioria das pessoas continuar tentando impor sua visão e querer desenvolver o pais de cima para baixo, a coisa não vai muito para a frente não…

    • blogmudancas disse:

      Será mesmo que o problema da fome está erradicado no país? Segundo a avaliação nutricional de crianças de 0 a 5 anos na Cidade de Deus/RJ (Cardoso et al, 2009), 22 % das crianças estavam desnutridas. Em “Cadernos de Estudos Desenvolvimento social em debate”, publicado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2006, 9,5 % das crianças com menos de 5 anos no estado do Alagoas sofrem de desnutrição crônica. Bem, o que estou querendo dizer, Vicente, é que o país está envolto por vários problemas sociais, econômicos e políticos. O governo deve sim investir em programas de desenvolvimento da educação nas comunidades, assim como deve priorizar investimentos em saúde, mas sem se esquecer dos outros problemas. O país irá pra frente se deixar de pensar como país em desenvolvimento: o governo é corrupto, logo a iniciativa pública não convém. NÃO! Se o problema está na corrupção, nossa obrigação é combater a corrupção, oras. Como? Participando ativamente da política. Por que aceitar uma realidade construída por nós mesmos? É ai que entra a iniciativa de cada um. Tantos bacharéis em direito e economistas formados no Brasil, por que não batalhar pra mudar uma realidade histórica? Pode ser idealismo de um jovem universitário, mas a solução para o crescimento nacional é possível, desde que lutemos por isso. Saúde e educação são áreas que devem ser priorizadas para receber investimentos (não que outras não devam), tanto pelo setor público (se há corrupção, por que não a combater, será que somos incapazes?) quanto da iniciativa privada.

  3. Vicente disse:

    Me desculpe, mas esses seus dados estatisticos sao falaciosos. Assim é possível comprovar fome em qualquer lugar do mundo e até comprovar que nao existe fome na áfrica. Basta pegar o espaço amostral dos lugares mais pobres ou mais ricos (que sempre existirão).
    Agora se você for no site do próprio IBGE, verá que a obesidade já é um problema maior no Brasil do que a subnutrição.

    O governo deve sim investir em programas de desenvolvimento da educação nas comunidades, assim como deve priorizar investimentos em saúde, mas sem se esquecer dos outros problemas.

    Por que? Quem garante que esses investimentos irão realmente render frutos? E a perda de crescimento economico que se dá devido a esses investimentos, compensam os ganhos? Pense bem: Cada R$1 real que é desviado da iniciativa privada, sao inovações a menos, tecnologias a menos e empregos a menos! Empregos a menos significam menos demanda por saúde e educação. Menos demanda por saúde e educação significam saúde e educação piores.
    Como você garante que os investimentos públicos irão compensar a ausencia de investimentos privados?

    O país irá pra frente se deixar de pensar como país em desenvolvimento: o governo é corrupto, logo a iniciativa pública não convém. NÃO!

    Não foi isso que eu falei. Analise bem: quais países ditos “desenvolvidos” tem presença tão forte assim do governo na economia? E, daqueles que possuem presença forte do governo na economia, quais deles sempre possuiu?

    Mesmo o governo tendo 0 corrupção (o que é impossível), investimentos públicos continuam sendo ruins. Por que? Por que eles nao sao submetidos a um sistema real de preços e a um “mercado real”. Os investimentos públicos não são avaliados em termos de valor do investimento, risco e retorno. Em outras palavras: O político responsável por qualquer obra pública que seja não terá que prestar contas. Tudo que ele precisa fazer é muita propaganda dizendo que “fez a obra X”. Dane-se o quanto ele gastou nessa obra, dane-se se ela está sendo sub aproveitada ou nao. Dane-se se com esses recursos nao poderiam ter sido geradas 10000000x mais inovações e tecnologias. Esse é o problema. A população como um todo nunca vai olhar para obras aparentemente benéficas (como hospitais novos, escolas novas, trem bala, restaurante popular, cinema popular, escola tecnica, salao de beleza popular, e afins) e pensar:

    “peraí, nessa obra foram gastos X bilhoes, e se um empreendedor tivesse acesso a essa quantia, que empregos nao seriam gerados? Sim. Não existiria um restaurante popular, mas talvez nem precisasse, a quantidade de empregos novos, as inovações, que poderiam acarretar em redução de custos e a valorização da mão de obra compensariam. E muito!”

    Pois é. Muitos bachareis em direito e economia. Eu sou um deles e voce futuramente será outro. A diferença é que todos nós queremos mudar para algo diferente. Uns acham que o governo deve investir mais em saúde. Outros, em educação, outros, em infra-estrutura.

    Eu acho que o governo deve investir o mínimo possível. Qual de nós está certo?

    Sim, e eu concordo com vc. Deve-se parar de pensar como país “em desenvolvimento”: http://www.heritage.org/index/Ranking.aspx

  4. blogmudancas disse:

    Vicente, eu concordo com grande parte do que você disse. E no entanto acredito que você está sendo um tanto quanto radical em saus colocações.
    Este último link que você nos enviou é extremamente interessante. E no entanto ao olharmos apenas estatísticas e não atentarmos para um pouco da história anterior a estes dados é possível que cheguemos a conclusões equivocadas.
    Pegue o exemplo da Coreia do Sul. Um país relativamente bem colocado no que convém ao ranking da liberdade econômica para começar. Mas o mais interessante não são esses dados frios e sim a evolução pela qual passou o país na últimas 4 décadas. Antes de entrar em mais detalhes quero deixar claro que não concordo com regimes ditatoriais e sei que houve um período em que este país asiático enfrentou esta realidade.
    Porém quero me concentrar na ações efetivas que foram tomadas. O investimento em educação foi realizado de forma a permitir um rápido desenvolvimento econômico. Orientado pelo governo sim, porém eficaz. è lógico que é possível usar o argumento “ditadura!” porém acredito que isso seria uma visão extremamente restrita. O fato é que governos não ditatoriais podem ainda assim empreender reformas educacionais eficazes se estiverem efetivamente dispostos e comprometidos com tal questão.
    Outro momento interessante e isso já nos anos 2000 foi o projeto de reformulação das políticas ambientais no governo em Seul ( nenhum governo ditatorial aí meus caros) que vem tendo efeitos surpreendentes e muito interessantes. A criação de enormes parques ecológicos, a destruição de viadutos para a revitalização de rios poluídos e a mudança no desenho das ruas para que as ruas marginais pudessem dar lugar a parques marginais aumentaram e muito a qualidade de vida dos moradores e permitiram a revitalização do enorme rio Han que corta a cidade.
    Tudo isso foi possível por conta de um governo comprometido com suas ideias. Tal projeto é previsto para durar 30 anos mas já alcança resultados incriveis como mostra essa reportagem: http://ecourbana.wordpress.com/2009/05/23/revitalizacao-impressionante-do-rio-seul/

    É possível sim aliar iniciativas privadas e públicas para resolvermos críticos problemas de nossa sociedade. O mercado não é tão perfeito para muitas das necessidades humanas. A mão invisível de Smith não necessariamente terá interesse em construir hospitais que atendam com dignidade comunidade carentes. Não nos enganemos em pensar que as coisas funcionam desta maneira.

    Um governo comprometido e bem orientado pode guiar a vontade privada em fazer o melhor para a sociedade como um todo e ao mesmo tempo gerar ganhos financeiros.

    “Eu acho que o governo deve investir o mínimo possível”. Eu concordo.

    Em ambientes ideais a liberdade de iniciativa privada é desejada e pode ser muito proveitosa. No entanto, infelizmente hoje em dia o governo investe muito mais do que o necessário em algumas áreas e muito menos em outras. Há de haver uma reorientação do capital investido e não uma diminuição deste.

    E eu acredito em uma conjunção de interesses entre o público e o privado em diversas áreas que beneficiariam a todos.

    Guilherme Cintra

    • Vicente disse:

      Eu imagino você me achar radical Guilherme. A maioria das pessoas me acha assim, mas o problema que o Brasil demanda uma solução “radical”. A coisa, na minha opinião, está crônica.

      Eu também já fui a favor de educação e saúde fornecidos pelo governo. Mas pare para pensar: será que se o governo não fornecesse *NADA* disso, as coisas não poderiam estar *MELHORES* no geral? Desigualdade sempre vai existir e já existe. Alguns com planos de saúde melhores, outros piores.
      Será que se você somasse o capital excendente para se investir (devido a ausencia de intervencao estatal), com o estimulo para as empresas criarem soluções baratas (pois não mais concorrem com serviços “gratuitos”), com o estimulo maior para as pessoas fazerem mais caridade e doações (pois não mais poderão culpar o governo por quaisquer males), as coisas não poderiam estar *MUITO MELHORES*?
      Voce acha que é *IMPOSSÍVEL* a iniciativa privada realmente ser melhor que o governo nessas áreas?

      Acho que até desviei um pouco do foco principal da questao. Voce falou que é necessário que haja um equilíbrio entre investimentos públicos e privados. Acredito que a esmagadora maioria das pessoas no mundo concorda com isso. Mas onde exatamente estará esse equilíbrio? Qual o percentual “ideal” de governo? Você acha que o Brasil está de alguma forma pelo menos PERTO desse ideal? Não acha que a burocracia no Brasil sufoca demais a iniciativa privada e o empreendedorismo? Não acha que os impostos cobrados são abusivos? Que o governo regula demais tudo que pode?

      Veja bem, existem muitas coisas na vida que a gente “assume como verdade”, principalmente por que nunca fomos convidados a questionar. Só estou fazendo um convite a reflexao. Lembro a primeira vez que estudei teoria da relatividade, achei aquilo um absurdo completo, não fazia sentido nenhum. As respostas nem sempre estão onde a gente procura por elas.

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